Gás carbônico: um dos vilões do aquecimento global

De acordo com o IPCC 2007 (Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas), o gás carbônico (CO2) é o gás oriundo de atividades humanas que mais contribui com o aquecimento global. Estima-se que a concentração atmosférica deste gás estufa no ano de 2005 foi muito superior àquelas atribuídas aos últimos 650 mil anos.

O IPCC 2007 mostrou também que a queima de combustíveis fósseis - como o petróleo – é, desde o período pré-industrial, o principal motivo deste aumento do gás carbônico. Outro agravante é a mudança no uso da terra (como por exemplo o desflorestamento para fins agropecuários), que colabora significativamente, mas em menores proporções.

Segundo pesquisadores, 73% do total das emissões de gás carbônico por queima de combustíveis fósseis pertencem aos países desenvolvidos. Os Estados Unidos são o grande poluidor, representando 24% do total. A China, a segunda maior poluidora de CO2, pode superar os Estados Unidos até 2015. Para as próximas décadas estima-se que países em desenvolvimento, que passam por um período de rápido crescimento econômico, aumentem suas taxas de poluição.

Os céticos ainda alegam que estaríamos presenciando um ciclo natural da Terra. Já a comunidade científica aponta que não se tem registro de ciclos climáticos que apresentassem tamanhas concentrações de carbono atmosférico interagindo com a natureza como hoje. Por este mesmo motivo, ainda não se tem idéia da forma com a qual o planeta irá reagir a profundas alterações climáticas.

As florestas possuem um papel essencial neste contexto, afinal as árvores realizam a fotossíntese, processo no qual o CO2 é capturado para que o vegetal produza sua “alimentação”. Mas será que as florestas serão capazes de “seqüestrar” o excesso de carbono atmosférico, colaborando na estabilização das condições climáticas do planeta? A ciência não tem resposta para esta pergunta, pois a fotossíntese depende de muitos fatores – como o ciclo da água, a temperatura, a disponibilidade de nutrientes, etc – que apesar de serem estudados e estimados, quando dentro de um complexo sistema, não são totalmente previsíveis. E, por mais que as florestas consigam seqüestrar maiores quantidades de carbono, uma grande cadeia biológica faz com que o carbono volte a atmosfera, como por exemplo, através da nossa respiração ou, mais grave, através de queimadas de árvores.

Resumindo, é impossível prevermos o que acontecerá no ciclo do carbono durante as próximas décadas. A única certeza é que, para diminuir o aquecimento global causado pelo excesso de gás carbônico, precisamos reduzir a queima de combustíveis fósseis - gasolina, diesel, etc – e evitar o desmatamento. Esta é uma tarefa para cada um de nós.

Francisco B. de Paola e Rafael Kuster de Oliveira